Peregrino de São Vicente já percorreu mais de 30 mil quilômetros a pé pelo mundo

O peregrino de São Vicente Rosan Garcia já percorreu mais de 30 mil quilômetros a pé pelo mundo, segundo a Prefeitura de São Vicente. A trajetória reúne caminhadas em rotas religiosas, filosóficas e trilhas de longa distância.

Nascido em Botucatu, Garcia conta que a paixão por caminhar começou na infância, em trilhas entre canteiros da horta da família. Em 2005, aos 45 anos, iniciou sua primeira peregrinação internacional, pelo Caminho de Santiago de Compostela.

Morador de São Vicente, ele percorreu caminhos na Europa, Ásia, África, Oriente Médio e Américas. Desde 2011, afirma que suas caminhadas também têm a missão de levar uma mensagem de paz.

peregrino de São Vicente

Relato publicado pela Prefeitura em 27 de outubro de 2026 apresenta experiências marcantes de Garcia, entre elas o Caminho de Abraão, a peregrinação japonesa de Shikoku e trilhas norte-americanas. A história também aborda a Tríplice Coroa conquistada em 2024 e seus planos de caminhar em São Vicente com familiares.

Da infância em Botucatu à primeira peregrinação internacional

As histórias da família e a curiosidade despertada por livros e programas de televisão alimentaram o interesse de Rosan Garcia por outros lugares. Com raízes familiares ligadas à Itália, a Portugal e à Espanha, ele cresceu ouvindo relatos sobre essas culturas e imaginando como seria conhecê-las.

Antes de partir para a primeira viagem internacional, Garcia pesquisou sobre peregrinações e escolheu o Caminho de Santiago de Compostela, que já conhecia por meio do livro Diário de um Mago, de Paulo Coelho. Segundo o relato da Prefeitura de São Vicente, a experiência exigiu que ele enfrentasse caminhadas de cerca de 30 quilômetros por dia sem preparo suficiente para percursos tão longos.

O início foi difícil, apesar de caminhar desde criança: Garcia recorda dores e lágrimas e descreve a falta de preparo como uma lição. Depois dessa experiência, as caminhadas passaram a incluir estradas de terra, margens de rios e trilhos de trem, além de percursos de longa distância em diferentes países.

Rotas pelo mundo e encontros que marcaram as caminhadas

Entre os percursos ligados à tradição de Santiago de Compostela, Garcia fez caminhos como o Francês, o Inglês, o Aragonês, o Sanabrês, o do Norte e a Via de la Plata. Também percorreu a Via Francigena e o Caminho de São Francisco, incluindo uma visita à coleção de presépios do Santuário de Greccio durante o aniversário de 800 anos do local.



No Caminho de Abraão, no Oriente Médio, Garcia caminhou com o propósito de promover a paz e foi convidado por um jovem palestino a conhecer sua família. A casa tinha chão de terra batida, cortinas no lugar das portas e paredes improvisadas; ainda assim, a família preparou uma refeição e dividiu com ele o que, segundo sua lembrança, era a comida de cinco pessoas.

Ao tentar pagar pela refeição, Garcia teve a oferta recusada. A família disse: “Trabalhamos para Deus!”, e o peregrino afirma que ficou triste por não ter conseguido retribuir diretamente. Em caminhadas posteriores, relata que deixou dinheiro discretamente em casas onde foi recebido, por exemplo, sob a sola do tênis ou debaixo da cama.

Depois de atravessar a região sem guia, usando um mapa com nomes de cidades, uma bússola e uma carta, Garcia recebeu um certificado que o reconheceu como o primeiro peregrino moderno a fazer aquele percurso nessas condições. Entre outras lembranças estão a passagem pela Porta do Perdão, em Santiago de Compostela, durante um Ano Santo, e uma noite no Monte Saint-Michel, na França, quando a maré alta deixou o local cercado pelas águas.

A mensagem de paz, os reconhecimentos e os próximos caminhos

Desde 2011, Garcia associa suas caminhadas a uma mensagem de paz que, segundo ele, inclui tanto o fim de guerras e conflitos entre povos quanto a busca de equilíbrio interior e respeito entre culturas e religiões. Na Alemanha, a visita a memoriais dedicados às vítimas do Holocausto o levou a refletir sobre o sofrimento provocado pela intolerância e sobre a apresentação educativa da memória histórica.

No Japão, além de conhecer mais de 100 templos, Garcia concluiu o Caminho de Shikoku, conhecido por seus 88 templos, e recebeu o título de Embaixador Peregrino do Japão, com a incumbência de divulgar o percurso pelo mundo. Nas Américas, percorreu o Caminho Inca, no Peru, e atravessou mais de 20 estados dos Estados Unidos.

Em 2024, Garcia conquistou a Tríplice Coroa, reconhecimento concedido após concluir três das cinco grandes trilhas norte-americanas que percorreu, segundo o relato da Prefeitura. A distinção é atribuída à Aldha West — The American Long-Distance Hiking Association-West. Ele também descreve essas trilhas como desafiadoras e afirma que a preparação exige análises, estudos e conversas com especialistas, considerando as mudanças climáticas em grandes altitudes e as influências de El Niño e La Niña.

Para quem pensa em peregrinar, Garcia recomenda pesquisar os desafios e começar dentro das próprias possibilidades. Ele diz que dar um passo a mais por dia pode levar a percorrer montanhas e fronteiras; entre seus planos está explorar trilhas em São Vicente com familiares e compartilhar com as novas gerações a paixão por caminhar.



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